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Macarrão ao pesto e à amizade

Ao pesto e à amizade

Ao pesto e à amizade

Tem duas mulheres que conheço de quem eu gosto muitíssimo. As conheço a mais de um ano. Bem mais tempo que conheço, por exemplo, o manjericão e a pimenta-do-reino moída. Esses dois, tem coisa de uma semana. Andava eu pelos corredores do meu supermercado preferido (pisc!) atrás precisamente deles dois, além dos familiares nozes, alho, queijo ralado e macarrão. A intenção era preparar o meu segundo prato oficial, baseado numa receita de macarrão ao pesto (aquele molho verde, sabe?), encontrada depois de uma árdua pesquisa de meia dúzia de cliques no Google. Digo, assim, baseado numa receita, porque eu acho que essa é a melhor desculpa para aqueles que tem convicções suficientes para supor que o seu próprio prato dará errado ao ponto de você se permitir dizer que inventou, ao acaso, uma nova receita. Só sua. 

Pois bem. O tal macarrão alimentaria, numa chuvosa noite de fim de inverno, as tais duas mulheres de quem falei, nomeadamente minha namorada Samanta Lançanova e Daniela Astigarraga (já leu esta palavra aqui? poizé). Abre-se aqui um parênteses para explicar que não, definitivamente não, a Dani não estava ali segurando vela. A Dani tinha planos de sair aquela noite. Juro que tinha. Por Deus. Mais que isso eu não posso revelar. Não insistam. Acontece que não rolou, digamos assim, e a Dani não saiu. Sorte nossa que ficou conosco. 

Com exceção das 500g de macarrão, o restante que fui buscar no súper, mais a salsa e o azeite de oliva, que vieram de casa, compõem o molho: uma xícara de chá bem cheia de manjericão, a mesma quantia de salsa picada, meia colher de chá de pimenta-do-reino moída, a mesma quantia de sal, dois dentes de alho amassados e picados, duas colheres de sopa bem cheias de nozes picadas e três quartos de uma xícara de chá de azeite de oliva extra-virgem. Faca a massa como você sempre faz ou peca ajuda se você nunca fez. Lembre-se: ela devera ser salgada também. No liquidificador, coloque todos os ingredientes. Não, a massa não. Misture na primeira velocidade. Um pouco de água — mas bem pouco mesmo — sempre ajuda aliviar o sofrimento do pobre motor. Certifique-se que a mesa esteja posta, a cerveja bem gelada ou o vinho a mão, antes de escorrer a massa e misturar a ela a então pasta verde, mesmo fria. E delicie-se.

Agora, parênteses de novo. Dizem que as relações, todas as relações, perdem o gosto depois de um tempo. Ficam insossos, iguais a cada minutos que gastam. Dizem também que o cozinheiro não acha graça no que ele mesmo prepara. Tudo tem o mesmo sabor, o tempero não funciona mais. Duas graaaandes bobagens. Tua vida tem certezas pregravadas, desde a segurança de que o sol nascerá. Se não cuidas, tu fazes tudo como se a realidade fosse uma só. Ignoras que na ponta do teu nariz correm a cada segundo milhares de possibilidades de você sentir tudo diferente. Aquele beijo e aquele macarrão, por exemplo. 

Quer ver? Afugenta-te da sociedade por algumas horas, reúne quem você gosta, cozinha e come com eles macarrão ao pesto e depois me conta.

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Frango à Astigarraga

 

Bah, cara, muito bom o teu almoço, largou o Leandro. Brigado. Foi a primeira vez, disse eu, baixo. Estréia da receita ou primeira vez aqui na casa da Dani? Não, cara, a primeira vez q eu cozinho pra outras pessoas. Capaz, meu! Bah, cara, parabéns, tava muuuito bom. Assim, cheio de us. Leandro é amigo do Carlos e da Fabi, que é amiga da Dani. A Dani é amissíssima da minha namorada, a Samanta. Aceitei o desafio d cozinhar pra eles, no apartamento da Dani. Dani Astigarraga. Pratos sujos, bocas satisfeitas, sorridentes e falantes. Foi o q sobrou.

Frango à Astigarraga. É assim q se faz: salgue sobrecoxas de frango a gosto e as envolva em maionese (do tipo temperada, sabor Azeitona, pode ser). Uma a uma, tempere-as, com generosidade, numa mistura d polentina com queijo ralado. Acomode-as em uma forma de inox, untada com azeite. Leve ao forno em fogo alto, por cerca d uma hora, até dourar. Até o beijo. Até o sorriso: tá pronto, lindo?

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