As oliveiras de Colônia do Sacramento

Começo escrevendo de dentro do ônibus que me traz de um dia de passeio pela simplória e inesquecível Colonia del Sacramento. Há alguns metros adiante de uma plantação com uma centena de oliveiras. Elas ficam à esquerda de quem chega. Um dia ainda virei de carro para poder parar e admirá-las. Para colher do pé o fruto do qual extraem o azeite do qual já não vivo mais e que — me prometeram! — somará alguns anos à minha existência. Talvez por isso aquelas oliveiras e sua propriedade de proporcionar longevidade estejam ali, recepcionando seus turistas. Há uma relação de Colonia com a história, com o tempo que não passa.

Começo a contar a viagem que fiz com minha namorada ao Uruguai de 14 a 10 de fevereiro de 2010 pelo final. Viemos embora hoje, depois de quatro, quase cinco, dias de passeio.
Sobre Colonia. Digo que não há um ser humano — principalmente um ser humano gaúcho, de quem são cobrados míseros 134 reais de passagens aéreas para a capital do país vizinho (ida e volta, mais taxas de embarque) e outros paupérrimos 40 reais para Colônia (também ida e volta) — que possa se dar por satisfeito em ter conhecido o mundo se não conhecer Colonia.

A sensação térmica é de uns 5 graus a mais do que Montevideo — que não é uma cidade quente. “Sim, lá a água é fria, aqui é rio, água salgada, quente!”, explicou-nos o senhor que nos cobrou uns 120 pesos (R$ 12 reais), cada um, para almoçarmos. Foi o cara mais bravo que vi desde que cheguei ao Uruguai. Nos primeiros 15 segundos. Depois, já debochou da quantidade de cartões que carrego e ficou rindo conosco. Eu disse, no meu sôfrego portunhol, que era muito cartão e pouca grana. Rimos juntos de novo. Não há quem trate mal os turistas no Uruguai.

O que mais vimos em Colonia? Ruelas cheias de beleza e história, fotógrafos fazendo acrobacias para registar tudo de um ângulo inédito, os pequeníssimos prédios da capital argentina, vistos do alto de um farol — sim, Colonia está de frente para Buenos Aires, divididos por muitos quilômetros de águas do Rio da Prata. O que também há em abundância em Colonia, para fazer inveja aos gaúchos e despertar velhas polêmicas, é o indiscutível bom gosto e talento para transformar uma simples ladeira que termina no rio ou uma enseada num café, bar, restaurante, trapiche ou seja lá o que a natureza não pôde fazer — porque se o pudesse, certamente o faria — e que torna a arquitetura de Deus completa. Os lugares todos enchem os olhos, que se perdem procurando hostels ou pousadas para ficar por mais dias na próxima vez.

Quando precisamos fazer a reposição do protetor solar e minha dor na panturrilha e nos quadris já dava sinal, descobrimos outro achado desta cidade: os buguis (realizei meu sonho de andar num bugui na praia; só falta poder botá-lo na areia um dia!)! Alugamos este pequeno veículo baixo de quatro rodas para percorrer uma “rambla” de 5 km de orla. Mais recortes de rio e mais trapiches e mais lugares para se ficar uma tarde toda, esquecendo um pouco da Redenção e do Parcão, fazer um churrasco e suspirar do fundo do peito o que ouvi da Samanta numa de nossas paradas: “como eu estou feliz”. E olha que não havia por perto freeshops, nem qualquer uma das centenas de milhares de lojas de artesanato, que até a mim enfeitiçaram. É a natureza e o toque generoso e respeitável do homem que causam admiração e trazem conforto ao coração. E pra não dizer que é só o gaúcho que fica piegas assim, pude me comunicar com uma alemã e uma canadense, em uma das esquinas históricas, e perceber que não éramos só nós os impressionados.

Agora, deixo aqui o importante registro de que é na sua principal capela, a Basílica del Santíssimo Sacramento, é que reside, em silêncio, no simbolismo da minha religião, o autor desta maravilha toda.

Quero voltar a Colonia em breve. De carro, para tocar as oliveiras. Com a desculpa de que preciso me convencer que tudo isso que escrevo enquanto o “autobús” não chega (são duas horas e meia de volta a Montevideo) é um grande exagero.

Um pouco de Colônia do Sacramento

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7 Comentários

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7 Respostas para “As oliveiras de Colônia do Sacramento

  1. belo texto! quero o roteiro, dicas, etc

  2. Jorpin Pinheiro

    Com satisfação compartilho o prazer de conhecer Colonia, é uma cidade muito bonita e agradavel, existe muita coisa para se ver por lá.
    Tienho foto no site do panoramio, se puderem dar uma olhadinha.
    Abraço a todos.

  3. Claudia

    Estou indo a Montevideo com meus dois filhos em julho e gostaria de saber se é fácil pegar ônibus, conseguir táxi e andar pela cidade. Gostei muito de suas dicas. abraço

    • Oi, Claudia! Desculpa pela demora em responder.. A gente vai deixando pro melhor momento e ele nunca chega. muito fcil pegar txi ou nibus em Montevidu. Ficamos no Hotel Europa e o pessoal da recepo fazia questo de nos dizer quais os nmeros de linha se pegava para ir a qualquer lugar. Se vcs no tiverem vergonha de perguntar, no precisa pegar txi pra nada. Talvez noite, se acharem perigoso esperar. Outra dica comprar peso l (pagando em real), pq acho que os nibus no aceitam nossa moeda. Qualquer coisa, me pergunta mais! E manda fotos depois. 🙂 E, ah, no deixa de ir a Colonia do Sacramento. imperdvel. Abrao, Juliano Rigatti.

  4. Charles Sholl

    Colonia é sensacional. Vale muito uma ida até lá. Uma dica, é alugar um carrinho de golfe (aluguei na Thrifity, que tem no terminal portuário e no centro da cidade). Estive lá em dezembro de 2010. Paguei US$ 50,00 por um dia inteiro e com o combustível incluso. A Rambla Costañera é belíssima. Vá até Real de San Carlos, veja a Plaza de Toros, o Museu Ferroviário, o Frontón, o Hipódromo. Depois volte para a ciudad Vieja. Passeie pelas calles e praças. A cidade irá te surpreender. O povo é bem simpático e educado.

  5. Gostei muito, vou usar as dicas de vcs porque estou indo pro Uruguai mês que vem pela primeira vez. E é sempre bom aprender com quem já foi, né…muito obrigada.

  6. Etiene

    Entro em férias agora em março e o destino será sem dúivida o Uruguai, irei sozinha, sem agencia de viagens, obrigada pelas dicas.

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