Postes de borracha

Mano todo orgulhoso. A mana emplacou um belo artigo sobre educação no trânsito na edição de hoje (3/4) do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Parabéns, guria! Legisladores e eleitores, boa leitura.

COISA DE ADULTO COM TRATAMENTO DE CRIANÇA
por Ana Paula Rigatti Scherer*

“Motorista, motorista,
olha o poste, olha o poste,
não é de borracha,
não é de borracha,
faz dodói, faz dodói!”

Com certeza, muitos lembram desta canção. Cantávamos em nossos passeios de escola há mais ou menos 15 anos. Mesmo na adolescência, cantávamos sempre que entrávamos, em bando, em algum ônibus de turismo. Por que a canção era engraçada e nos divertíamos tanto com ela? Como toda e qualquer piada ou história se torna engraçada, pois perverte algo que é óbvio, que é natural, ou seja: nenhum poste é de borracha e por isso o motorista deve cuidar ao dirigir. Quem diria que, 15 anos mais tarde, ao invés de os motoristas estarem conscientizados dos cuidados que devem ter com o trânsito, os postes é que seriam remodelados para melhor servirem aos motoristas. Engraçado isso: o animal racional não é capaz de aprimorar-se, mas o poste, que é um ser inanimado e sem razão, pode.

Trago este assunto em pauta porque recentemente li uma reportagem, neste mesmo jornal, referente à colocação de postes de fibra de vidro que não seriam tão danosos ao motorista que neles batesse. Também li que esses postes seriam muito mais caros que os de concreto ou madeira, representando maior custo para o poder público. Talvez seja mais fácil trocar os postes do que educar e fiscalizar o trânsito…

Outro assunto que está se discutindo é a presença de árvores junto ao meio-fio, que representam perigo ao motorista. Pergunto: se não houver a árvore e o poste, não haverá uma casa, um muro ou um prédio esperando pelo motorista imprudente? Quem sabe a solução seja construir casas e prédios de borracha ou fibra de vidro?

Vejamos o seguinte: se, para frear o motorista, teríamos que trocar os postes, então seria o mesmo que, para frear um assassino, colocássemos coletes à prova de balas em toda a população. A solução está em educar o motorista e fiscalizar suas ações. Funciona como numa escola: ensina-se e cobra-se, depois, o que foi ensinado.

Acontece que educar o povo e cobrar atitudes mais prudentes dá muito trabalho, mais trabalho que trocar os postes. Na escola também é assim: do professor que cobra e é exigente, o aluno não gosta, acha chato. Para esse professor, o aluno nunca leva presentinhos, mal sabe ele que esse professor é o que fará diferença em sua vida.

* Fonoaudióloga

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1 comentário

Arquivado em Indicados pela Uzina

Uma resposta para “Postes de borracha

  1. ha, de família né… pau que nasce torto nunca se endireita. Ops, não é esse o ditado hehe.. a fruta não cai longe do pé… ou, filho de peixe peixinho é? ahm… algo assim hehe.

    ha, também mudei o visual do meu blog.
    :*

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