Continência

Amanhã cedo vou descer a lomba mais uma vez, como faço todos os dias. Talvez ele esteja lá outra vez. E do alto da sacada da garagem de sua casa fará um barulho qualquer pra chamar minha atenção. Com sorriso largo, pendurado no rosto envelhecido, baterá continência. Como se estivesse dando-me bom-dia.

Está cada vez mais perto o dia que terei que cruzar aquela casa e só lembrar dele. Das liçőes de bravura, de disciplina, de sobriedade. Perdeu a guerra, mas pra mim ele sempre foi um velho vencedor das armadilhas da vida. Essas mesmas que me fazem tropeçar todo dia na minha própria sombra.

A magrura da silueta esconde o que os ocidentais nunca aprenderam a valorizar: a sabedoria que só a velhice traz. Este senhor carrega no bolso silêncio, cortesia, rispitude e simpatia. Usa-os quando bem entende.

Faço sinceros votos que ele inclua meu nome no testamento que tiver. Queria, sinceramente, herdar um pouco daquilo que, mesmo a distância, admiro tanto.

Bom dia pro senhor também, vovô Bertoldo.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Continência

  1. simone hentschel loureiro

    Meu tio Beto, como costumo chamá-lo desde criança, é um vencedor, independente de qual país venceu a guerra, ele com certeza se tornou uma pessoa mais forte, mais digna e com centenas de lições de vida para ensinar! Obrigado Filipe!

  2. simone hentschel loureiro

    Corrigindo, obrigada juliano!!!!!

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