Nossos modelos, parte 3

“Eu não sei o que vai acontecer. O que eu não gostaria que acontecesse é que esse projeto virasse um caso de polícia, objeto de exploração política ou simplesmente um grande espetáculo. Faço parte da Central Única das Favelas, a Cufa, que vem dando uma contribuição significativa sobre essa questão. Esse documentário é um exemplo. Mas, ainda sim, é muito pouco, diante do que toda a situação necessita. Se o Brasil estava esperando chegar no fundo do poço para refletir sobre esse problema, o momento é esse”, defende MV Bill.

“Eu vi nesse documentário algumas das cenas mais chocantes que eu já tinha visto em toda a minha vida. Uma realidade extremamente cruel, sem retoque nenhum, e da qual eu não sabia realmente. São todos infelizes, marcados e sabem que têm uma vida muito curta. O que me dá medo é não achar que haja uma geração perdida, é achar que haja mais do que uma, talvez duas, talvez três”, lamenta o autor de novelas Manoel Carlos.

“Eu acho que nunca foi feito nada parecido no Brasil, pelo menos com esse detalhamento. Alguém foi, mergulhou naquele inferno e voltou com um relatório, terrível. Eles sabem bem o destino deles, uma espécie de fatalismo. É culpa de uma situação que vem de anos e é um trabalho também para vários anos e que vai envolver todo mundo”, acredita o escritor Luís Fernando Veríssimo.

“Eu acho que a importância de se ver esse documentário é de resgatar a humanidade que há dentro de nós, mesmo que seja pelo choque mesmo que seja um soco no estômago”, aponta a atriz Camila Pitanga.

“Ninguém está falando em nome deles. São eles que estão falando em seu próprio nome. É como se a favela fosse um problema do Brasil. Ao contrário, o Brasil que é um problema dessas pessoas. Quando você vive nessa situação limite, a vida perde a importância. A existência perde os seus valores fundamentais”, observa o cineasta Cacá Diegues.

“O que fica sublinhado é o absoluto abandono em que vive essa população. É um gueto, uma terra de ninguém. É muito difícil para uma família criar um filho dizendo que o crime não compensa quando o estado mostra todo dia, através da benevolência das leis, de coisas desse gênero que o crime compensa sim. A consciência daquela mãe, o
desespero, essa angústia que eu sinto com ela, quando ela diz isso. ‘Eu quero mostrar pro meu filho que o mundo não é só isso’. Chega de discussões teóricas. Vamos partir para a ação”, pede a autora de novelas Glória Perez.

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