Arquivo do mês: fevereiro 2006

Resultado da Enquete da Uzina

Nem pense em dinheiro.
Qual área da sua vida receberá mais investimentos em 2006?
Meus estudos (conhecimento) 23,08%
Minha família 0.00%
Meus amigos 7,69%
Minha cara-metade (rolo, namoro, casório…) 15,38%
Minha saúde 0.00%
Minha carreira profissional 30,77%
Minha espiritualidade 15,38%
Minha auto-estima 7,69%

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Contrastes

Contrastes. Azul escuro e verde limão. Sete e setenta. Um hipopótamo e um pernilongo. Tudo escuro e tudo aceso. Isso são contrastes. Tudo escuro e tudo aceso. Na verdade, foi com isso que essa história de contrastes começou. Eu sentia o verdadeiro valor da luz quando ela se ia. O escuro me fazia ver, me fazia descobrir o quanto aquela esquecida lâmpada era importante para minhas noites dentro de casa.

Sei que, esteticamente, o exemplo não é dos melhores, mas o que seria da lasanha se virasse um prato de todo dia, tipo o arroz? Certamente, não seria mais a tão admirada e pretendida lasanha. E o churrasco então? O ter e o não ter as coisas é uma grande lição que a vida nos ensina a cada dia. O ter e o não ter água. O ter e o não ter comida. O ter e o não ter companhia.

Da lâmpada, com o tempo, derivou para os pais. Passei a ver que muita gente só dá valor para o pai ou para a mãe quando os perde. O ter e o não ter outra vez.

Percebemos quando um texto é longo demais e está com palavras demais que não nos deixa pensar direito e nem sequer nos permite entender direito o que quer dizer quando ele é assim sem vírgula sem ponto sem nada com um ritmo frenético que parece que não vai parar nunca. Outra coisa é quando um texto, por mais longo que seja, tem suas paradas, suas pausas para reflexão, ou seja, um ritmo que permite vivê-lo com mais intensidade. Assim, passamos a entender a existência da vírgula, do ponto.

Mas parece que precisamos experimentar sempre. Experimentar. Sentir a ausência para valorizar a presença. Sentir a perda para valorizar o ganho. Sentir a dor para valorizar a saúde.

Esses dias acabou um dos finais de semana mais bacanas que já vivi. Fui com um grupo de amigos para uma praia do litoral norte aqui do Estado para dar umas risadas, tocar um violão e pegar um sol. Fizemos tudo isso e tudo foi muito intenso. A despedida deixou clara a importância da amizade que um tem pelo outro. Não vêem a hora de repetir.

De repetir. De repetir. De repetir.

Nossos dias são produzidos em série pela fábrica chamada cotidiano. Perdemos o gosto pelas coisas mais belas, não sentimos mais a essência das coisas mais naturais, o sol de rachar parece cinza, o pássaro cantando só incomoda e aquele bebê sorrindo é só mais uma peça comum no mostruário dos seres. Tudo é banalizado. De tanto repetirmos, repetirmos e repetirmos.

Tenho certeza, amigos, que aquele final de semana nunca mais voltará. Tenho certeza que nunca outro será igual. Nunca o repetiremos. Tudo o que se vê não é igual o que a gente viu há um segundo. Tudo passa. E é só deixando passar que aprendemos o real valor das pequenas coisas.

Imensos jardins floridos em todas as casas, umas ao lado das outras, faria a tal rua um saco. De um fedor insuportável. O mais legal é aquela rosa perdida no meio de tantos galhos verdes, todos iguais. Aquela rosa que se destaca, que contrasta, e que fica conhecida como aquela rosa vermelha que floriu de repente.

Falar, falar e falar cansa. Precisamos calar às vezes. Mas sempre calar só porque fez bem não resolverá. O silêncio funciona, alivia nosso cansaço e organiza nossos pensamentos quando praticado com prudência.

Acho que conseguiríamos perceber as cores do mundo se prestássemos mais a atenção nos contrastes. E nos conformássemos com a singularidade de cada coisa. E celebrássemos isso. Mas não quiséssemos que se repetisse.

Porque a repetição só estraga, tira o gosto das coisas, torna comum, torna repetitivo, comum, estraga, tira o gosto das coisas, torna comum, estraga, assim como essa frase que começa a repetir tudo o que disse até agora e até invalida toda a mensagem só pelo fato de repetir, repetir e repetir como se nada tivesse sido dito até agora e ninguém tivesse entendido o que o texto queria dizer. Branco e preto. Folha branca e espaço preenchido. Hora de parar de ler e começar a pensar. Olho aberto e olho fechado. Letra e ponto final.

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Sociedade TCC

Um amigo me confidenciou que o seu maior medo é que todas as suas idéias bem fundamentadas no Trabalho de Conclusão de Curso sejam depreciadas pela má formatação do trabalho. Que tudo se perca por causa das benditas regras da ABNT. Imaginem?

Mentira, nunca ninguém me disse isso.

Eu é que fiquei imaginando uma cena como essa. Na real, um amigo já me falou que acha um absurdo que um trabalho tenha que se dirigir ao leitor de uma forma tão, tão formal e rebuscada, sob pena de não conseguir passar a verdadeira mensagem ao interessado. Isso escutei de verdade.

E é igualmente preocupante.

A nossa sociedade também é assim.

Anula, submete nossos valores e crenças ao padrão que foi estabelecido. Todos passamos por um filtro moralizador, digamos assim, e nos tornamos iguais. Uns iguaizinhos aos outros.

O jeito de vestir, o jeito de reagir, o jeito de rir, o jeito de amar, o que escutar, o que sentir, o que dizer, em que momento dizer. Tudo catalogado.

Esquecemos que esse catálogo não existe de fato. Somos todos, todos, uns diferentes dos outros. Em tudo. Do jeito de andar ao jeito de sentir. Do jeito de crescer do cabelo ao lugar onde vai nascer a próxima espinha.

A sociedade nos torna iguais por inúmeros interesses. Um deles para que possamos sustentá-la. Sendo iguais, tendo os mesmos gostos, seremos consumidores passivos de um mesmo produto. Seja ele de comer ou de acreditar.

E pior que a safada da sociedade sabe que somos todos diferentes. E sabe muito bem usar isso ao seu favor. Ou não. Nossa principal identificação entre os seres de uma mesma sociedade é a carteira de identidade. Uma diferente da outra. Senão pelo nome, pelo rosto. Se ainda assim não pelo rosto, sim pela impressão digital. Ninguém tem a sua igual à do outro. Então, a nossa principal identificação em uma sociedade de iguais é uma carteira que é a verdadeira prova de que somos todos diferentes. Carregamos uma carga genética diferente, tivemos uma criação diferente, fomos repreendidos quando pequenos por diferentes motivos. Algumas coisas hoje são mais proibidas do que outras.

Ter bondade é ter coragem. Ser autêntico é ter coragem.

A sociedade quer os iguais, mas nunca evoluiu por causa da semelhança, mas pela distinção de alguns poucos corajosos. Uns porque lutaram contra a violência quando todos morriam pela guerra. Uns porque foram ao microfone lembrar que nascemos para a paz. Uns porque descobriram fórmulas capazes de fazer a ciência andar décadas. Uns porque escreveram o que viram de tal forma que a história não pôde ser esquecida. Outros porque simplesmente cantaram a vida e gozaram da vida quando na pobreza a sociedade instruiu sentir a tristeza e desistir de tudo.

Os iguais sustentam uma sociedade massiva que se retro alimenta. Os originais contagiam uma multidão que ajuda o mundo a evoluir.

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