O problema está na pecinha

Instalou-se esses dias mais uma polêmica no futebol. No gaúcho, dessa vez. Levantaram a hipótese de proibir a venda de bebida alcoólica nos estádios de futebol. Isso porque ele, o álcool, seria o agente de descontrole de muitos torcedores. Causador de brigas, vandalismo e pancadaria.

Também a legalidade da arma está em discussão. Duas fortes frentes parlamentares disputam hoje a opinião da sociedade brasileira para aprovar ou não o 35º artigo da Lei do Desarmamento. Com a aprovação – a vitória do sim, o número 2 – fica proibida a venda de armas e munição no país. Quem tem arma em casa, fica com ela. Mas logo, logo não poderá mais repor os projéteis vencidos que guarda na gaveta. Ou sei lá aonde. Os que defendem o sim dizem que as mortes por brigas e desentendimentos diminuirão em grande número. Crimes passionais e em reação em assaltos também serão reduzidos. Nem de pizza se fala mais. A arma de fogo é a principal personagem desse país que nos enche de orgulho a cada horário comercial ou propaganda política.

Este texto aqui é um protesto em defesa do álcool e da arma de fogo. Um protesto em nome da sensatez.

Vamos olhar bem de perto pro nosso povo. Pros nossos miseráveis, pros nossos analfabetos, pros nossos famintos. A questão é tomar vergonha na cara e admitir que temos um país único. Chega de comparações ridículas com a realidade de países desenvolvidos da América no Norte ou da Europa. Lá, sim, proíbam as armas. Tirem todas das ruas e nada mudará. O índice de homicídios continuará o mesmo. Perto do zero.

O problema do Brasil, definitivamente, não são as armas. E o problema nas brigas em estádio não é o álcool. A grande revelação vem agora. Atenção. São as pessoas. Óóóóóó.

O problema está na pecinha. Lembram da brincadeira? Sempre quando alguma coisa no computador não dava certo, brincávamos dizendo que o problema era na pecinha instalada na frente do monitor, sentada na cadeira.

Sobe o morro, mano. Dão dois pau por mês pra traficá. Os playboy do asfalto são tudo cliente bão. Rua, eu já disse. Você está despedido. Sei lá o que você vai fazer com os seus filhos. Eu já disse, rua. Meu filho não vai pra aula, não, moço. Precisa trabalhar pra ajudar em casa. A coisa não tá fácil. O pai deles perdeu o emprego outro dia e gasta tudo em cachaça.

O problema está na pecinha. A obviedade agora. Dois pontos. A arma sozinha não mata ninguém. O álcool sozinho não atropela e não passa o sinal fechado. Estão pondo a culpa no cara errado, estou avisando.

E adianta? Quando teremos um país de políticos menos corruptos e mais preocupados com investimento em educação? Quando entenderemos que enfiar a criançada toda na escola não é o mesmo que qualificar o ensino?

Pensem nas pessoas. As pessoas fazem um país. Só as pessoas podem alimentar nossa esperança num Brasil melhor. As leis de nada adiantam se não temos pessoas para cumpri-las. Proíbam o álcool e os bagunceiros farão a concentração em casa e irão para o jogo preparados para a fuzarca. Proíbam as armas e aumentará a entrada de fuzis AR-15 pela porosa fronteira brasileira.

Minha vontade é não votar em nada dia 23 de outubro. Por não acreditar nessa farsa. Desvirtuam o problema e sempre jogam a solução pra debaixo do tapete.

Ô paisinho!

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9 Comentários

Arquivado em Genéricos

9 Respostas para “O problema está na pecinha

  1. Anonymous

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  2. Anonymous

    Ok, OK, o probrema tá na pecinha !
    Então, já q a pecinha não está bem, é melhor que as pecinhas esclarecidas pensem bem e decidam pelas outras, para que não comprem e nem usem (sem autorização da PF)e nem deixem q roubem sua ‘pecinha’ assassina .
    Caro, Juliano, respeitosamente, vejo com teu excelente artigo, mais um bom motivo para dentro da razão e do bom senso lutarmos (sem estas armas) pela justiça e paz!
    Um abraço, pe roberto

  3. OK, OK. Dei argumento para a oposição. Hehehe! Boa discussão.

    Que saudade do Padre Roberto!
    Recebeste meu e-mail da entrevista?

    Abração.

  4. Anonymous

    viva meu amigo,
    espero estar na área (gaúcha)dia 22, quem sabe nas Graças,
    mas,ainda não recebi a entrevista não. abraço, roberto

  5. Bom, nesse referendo, estou mais em dúvida do que sei lá o que… Quanto aos estádios… O que tem que mudar são as pecinhas que o freqüentam…
    Beijos, Bina

  6. Dudu

    fire at will! fire them all!

  7. Pe. Roberto, já enviei duas vezes o e-mail com as fotos do nosso passeio por Charqueadas e com as perguntas da entrevista. Deve estar parando no meio do caminho, em alguma fronteira…
    Dá sinal se apareceres por aqui.
    Abração.

  8. Bom, Bina, pelo que viste, tbm acho que o problema são as pecinhas. Mas temos q ter uma opinião e votar. Infelizmente. Até.

  9. Ai, esses meus amigos que se puxam. Precisamos botar o papo em dia senhor Eduardo. Aí aproveito para te pedir a tradução do teu comentário. Brincadeira, acho q entendi. Hehehe! Abraço.

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