Pau de Galinheiro/DF

Eu já tinha escrito essa introdução umas duas semanas atrás. Mas com a velocidade com que os fatos surgem lá na capital, tudo desvaloriza tão rápido. Melhor, valoriza. Saímos de 3 mil e já estamos em quanto mesmo?

Me preocupo com a forma que essa história será contada pela História. Como nossos filhos e netos verão o mensalão e que tipo de julgamento farão sobre a pizza que comemos.

A edição de domingo (30/07) do jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, refresca a memória com um fato bem positivo do desfecho da corrupção na Itália, em 1992:

:: A falta que Mãos Limpas fazem
Em 1992, ano em que o ex-presidente Fernando Collor de Mello foi envolvido em escândalo de corrupção e deixou o poder, na Itália a Operação Mãos Limpas desvendou esquema de fraude nas campanhas eleitorais. Passados 13 anos, mais de mil pessoas foram presas naquele país e 3,5 mil processadas, sendo 120 parlamentares e quatro ministros de diferentes partidos. No Brasil, as investigações feitas no mesmo período não levaram ninguém à prisão. Depois de oito anos amargando o ostracismo, Collor recuperou os direitos políticos que havia perdido e ainda voltou ao cenário eleitoral para concorrer ao governo de Alagoas, dez anos após o impeachment.

A atual crise política que o Brasil atravessa fez ressurgir a idéia de que operação semelhante à que ocorreu há mais de uma década na Itália é a forma de estancar a corrupção. Na primeira semana de junho, o presidente Lula defendeu a medida em seu programa semanal de rádio, ‘Café com o presidente’: ‘Gostaria que um dia o Brasil atingisse o nível da Itália com a Operação Mãos Limpas. Se depender do meu esforço pessoal, vamos mostrar à sociedade brasileira que é possível acabar com a corrupção’, discursou Lula.

Os motivos que levaram a promotoria italiana a desencadear a Operação Mãos Limpas são muito parecidos com os que ocorrem hoje no país: o caixa 2 nas campanhas eleitorais e o posterior favorecimento às empresas doadoras de recursos aos candidatos. A crise na Itália estourou quando Mario Chiesa, influente filiado do Partido Socialista, foi flagrado recebendo o equivalente a cerca de 1 milhão de euros de uma empresa de serviços de limpeza para garantir renovação de contrato. Chiesa presidia megacomplexo público que prestava serviços hospitalares, de orfanato e asilo.

Preso e expulso pelo presidente do Partido Socialista, Bettino Craxi, Chiesa resolveu delatar partidos e políticos envolvidos no esquema, como acabou fazendo, recentemente, o deputado federal Roberto Jefferson, do PTB. Ficou comprovado que Bettino era um dos articuladores das irregularidades. Para não ser preso, refugiou-se em sua casa de praia, na Tunísia, onde veio a falecer. Entre os envolvidos está também o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi. Ele é réu em processo de fraude eleitoral, mas conseguiu, quando assumiu o poder, aprovar lei suspendendo o processo criminal enquanto estiver no cargo.

O esquema político acabou ganhando proporções gigantescas. A promotoria italiana resolveu intervir. Antônio di Pietro, do Ministério Público de Milão, começou as investigações que chegaram a empresários, dirigentes de estatais, administradores públicos e juízes. Além do caixa 2 e de favorecimentos a empresas, houve constatação da venda de sentenças e o envolvimento de integrantes do Judiciário no ato de burlar a lei eleitoral e o Código Penal para favorecer as infrações.

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