40 dias para a tolerância

Já falamos sobre intolerância aqui na Uzina. Foi na ocasião do Fórum Social Mundial. Falávamos a respeito do painel do Nobel em literatura José Saramago. Na seção aberta às perguntas do público, um jovem estudante levantou-se e indagou os painelistas sobre a intolerância que havia entre as muitas ideologias, credos e interesses dos participantes do Fórum. Concordei com ele. Não é possível outro mundo se não nos entendemos em nosso pequeno mundinho de relações.

Batíamos nessa tecla na época do CLJ. Sim, participei do Curso de Liderança Juvenil, como muitos. O próprio hino do movimento dizia que era preciso que o mundo fosse um pouco melhor porque nele nós vivemos. Pra mim, essa parte da letra sempre disse que eu precisava investir no meu mundinho, nas pessoas que eu conheço, com as quais me relaciono. Esse mundinho é passível de mudança. Esse outro mundinho, sim, é possível.

Esse pra mim, é o século da tolerância. Não sei bem porquê. Nem me perguntem porquê do “século”. Só acho que a tolerância é a chave para todo e qualquer investida em favor da paz. De cima pra baixo. Se o Bush não tolera a diferença cultural dos islâmicos e a auto-suficiência deles em petróleo, como estamos vendo, a paz se complica. Se um Presidente da República não tolera as diferenças partidárias do seu antecessor e não dá continuidade a projetos que não são de sua autoria, mas que dão certo, o país regride. Se você não tolera a provocação no trânsito e parte para a briga, pode ter um triste fim se o outro cara tiver uma arma. Se eu não tolero a vontade imensa da minha namorada em fazer algo com a qual não simpatizo, nos estranhamos.

A tolerância deve vir em favor da vida. Os pequenos gestos de tolerância transformam o mundo, trazem a paz. E isso, sei, não é novo. Jesus Cristo pregava a tolerância, o perdão. Pediu para que não fizéssemos aos outros o que não gostaríamos que outros fizessem a nós. Perdoe setenta vezes sete vezes. Ao baterem numa face, ofereça a outra. Opa. Sinônimo de covardia, de submissão? Pense. Eu questiono.

Como dizem os mais vividos, o que fazemos de bom é só o que levamos dessa vida. Um bom começo é praticar a tolerância.

A Quaresma — período que marca o primeiro dos quarenta dias antes da Páscoa — trouxe mais uma edição da Campanha da Fraternidade. Desta vez ecumênica, ou seja, com a participação de todas as igrejas cristãs, e não somente a católica, a iniciativa pretende discutir o tema Soliedariedade e Paz.

“Que a nossa força não seja a violência, mas o amor.
Que a nossa riqueza não seja o dinheiro, mas a partilha.
Que o nosso caminho não seja a ambição, mas a justiça.
Que a nossa vitória não seja a vingança, mas o perdão.”

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