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Façamos um bem

Dezembro 23, 2008 · 1 Comentário

O desejo de mudar o mundo destruiu nossa vontade de fazer o bem.

E tem tanta gente que cruza os braços com a desculpa da impotência.

Venham cá, vocês lembram da historinha do menino salvador de estrelas? É assim:

Conta que um gurizinho passava o dia inteiro na beira da praia recolhendo da areia as estrelas que haviam sido largadas ali pela espuma da onda no mar. Reza a lenda que não se via um grão de areia naquela praia tal era a quantidade de estrelas que sofriam ali, morrendo no calor daquele solo salgado. O piá tirava as estrelas do chão e, uma a uma, jogava de volta ao mar. E ficava alguns segundos parado, admirando o movimento da água e o mergulho da estrela. 

E as estrelas nunca acabavam. Pelo contrário. A areia estava sempre cheia, mais e mais, de estrelas sedentas do mar. No que um sábio aproximou-se do rapaz e perguntou o que ele achava que estava fazendo. Com a razão que lhe tomava a mente, afirmou ao garoto que nunca, nem até o fim de sua jovem vida, ele salvaria todas as estrelas. Nunquinha. Já-mais.

Como se o tal senhor não estivesse ali, ao seu lado, dizendo aquelas palavras duras no seu ouvido, o garoto abaixou-se, desgrudou mais uma estrela enferma do chão e lançou-a ao mar com ainda mais ânimo. De forma que ela foi parar muito mais longe do que todas as outras. Esperou o buraco fechar-se na água, voltou a por-se de pé, restabeleceu o fôlego e disse ao velho, como quem analisa e orgulha-se de cada palavra: “Para esta últim estrela, meu senhor, eu tenho certeza que fiz a diferença”.

De fato, o jovem nunca terminou o seu trabalho lá, na beira daquela praia. E nunca mais, ao longo dos tempos, ouviu-se falar do velho sábio.

Este jovem da bonita história que relembrei nunca usou como desculpa sua importência em salvar todas as estrelas. Nunca sequer ousou deixar com que a dificuldade da missão esmorecesse a sua vontade de fazer o bem, de salvar a vida de uma única estrela.

Lá na empresa onde trabalho, este Natal foi mais um exemplo de como cada um pode sempre fazer um bem. Um só. Um só bem para alguém. Porque o todo, bem, o todo todos farão.

As árvores de Natal lá do trabalho tinham pendurados em seus ramos nomes de crianças carentes, ligadas à alguma entidade beneficente de Porto Alegre. Qualquer um que quisesse, poderia ir até a árvore, pegar um papel e adotar simbolicamente uma criança. Até uma data determinada, todos tinham trazido de volta o nome do pequeno com um presente ou uma roupa. Não vi ninguém que tenha pego todos os papéis de uma árvore. Assim mesmo, as árvores ficaram todas vazias.

Fazer um brinquedo, uma roupa nova ou um prato de comida quente chegar a um pequeno nunca será um gesto perdido. Mesmo que seja um. Mesmo que nem todas recebam este bem. A quentura de um pedaço de pão, o colorido de um pedaço de plástico, de um pedaço de pano. Todos terão devolvido para aquela pequena estrela, sem ela saber, a sensação inestimável da esperança.

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Mais enganados pelo CLJ

Setembro 27, 2008 · 3 Comentários

Sorte nossa ter mais jovens sendo enganados pelo CLJ.

Escrevo esse texto perto das 15h de um sábado. Nesse mesmo horário e dia da semana, há alguns anos já me preparava para sair de casa, violão nas costas, para viver parte do meu sábado em função dessa causa. Enganei-me muito com esse movimento. E ganhei muito com isso.

Agora vejo que mais jovens estão nessa.

Aos sábados à tarde, salões paróquias de centenas de cidades neste e em outros Estados estão repletos de gente engajada nessa causa nobre: levar a mensagem da fé, da esperança e da caridade para mais pessoas. Neste final de semana, em Salvador do Sul (RS), mais um Cenáculo de Maria acontece. Mais de cem jovens voltarão de lá de ânimo renovado e com roteiros do caminho do bem.

Sorte da sociedade. Sorte do nosso futuro e dos filhos dessa geração. Com a desestruturação da família, muito mudou. Muito mais ainda mudará. Nos lares dos ricos, os pais precisam trabalhar e pouco tempo dedicam para a criação adequada de seus filhos. Deixam-nos com alguém para cuidar. Nas casas dos pobres há menos tempo ainda para coisas elementares como diálogo, afeto e compreensão. A necessidade de ter com o que preencher o prato no dia seguinte é a prioridade de pais e mães, com seus filhos numerosos. “É ruim acordar de madrugada pra vender bala no trem. Se eu puidesse eu não seria um problema social”, já ouvimos do Seu Jorge em Problema Social.

A perspectiva divulgada na imprensa essa semana de que já estamos tendo famílias menores é um alento. Talvez aumente a dedicação para preparar os pequenos para a vida. Não há perspectiva de melhora se a educação não acontece. “Não dá pra plantar mandioca pra nascer jabuticaba”, já diria Luiz Vieira, poeta e cantor brasileiro.

Soma-se a isso a educação risível que temos na maioria das escolas do país. O resultado são jovens agindo com pouco limite ético, cada vez mais vulneráveis às armadilhas das drogas, da violência e do crime.

Dia desses participei de um jantar em Canoas pra comemorar os 30 anos do CLJ aqui na cidade. Da geração da internet, dos shopping centers, dos mp3 players ou da necessidade de trabalhar, o movimento ainda consegue reunir mais de uma centena deles. Quase não cabiam na foto final. Sorte da sociedade ter iniciativas como essa e outras como aliadas. Na ausência da família, são eles que preparam exércitos de voluntários para uma guerra moral que é travada todos os dias nas escolas, nas ruas, nas salas de estar, nos quartos fechados. Batalhas e batalhas já põem em trincheiras opostas a virtude e a ganância, a honestidade e a individualidade, a solidariedade e o egoísmo. Sorte dos pais que têm seus filhos no caminho do bem. Sorte deles. Sorte da sociedade. Mais sorte que juízo.

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Abaixo, alguns depoimentos que recebi do exército do bem. Se quer ler mais, clica aqui.

Marla
Ai, Ju, coisa boa te ler sobre o CLJ – sim, eu também fiz! E realmente foi muito legal.
Adorei!
Bjão 

Adriele Feix
oiiii!
estava fazendo uma pesquisa no Google e encontrei teu texto!
levei um grande susto ao ler o título, mas fiquei muito feliz ao terminar de lê-lo!!!
texto maravilhoso!!!
escrito por um ser iluminado pelo Espírito Santo!!!
parabéns!!!
participo do CLJ da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, de Estância Velha, Diocese de Novo Hamburgo…
fica com Deus!
que Ele te projeta e guie teus passos sempre!!!
abraço!
Shalom!

Naná
A Paz de Cristo!!!
Olá!!!

Estava querendo ver uns cantos de outros movimentos e encontrei o seu texto.
fiquei pensando o que será que levara uma pessoa a pensar assim????
Por curiosa resolvi ler, mas fiquei muirto feliz ao terminar de lê-lo!
Eu não conheço o Canta Brasil, mas o CLJ conheço bem, a pouco tempo fez 7 anos que estou nele, e concordo com o que você escreveu, sendo que é bem parecido com o que eu já fiz, tirando a parte de ensinar violão, e colocando a meia-lua.
Faço parte do CLJ da Paróquia São Cristóvão, de Estrela, recentemente Diocese de Montenegro.
Fique na paz, e continue a fazer esse trabalho maravilhoso, que é de levar o Cristo para todos.

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Pela nossa esperança

Janeiro 30, 2008 · 2 Comentários

Quando um novo ano começa o que se vê sempre são as pessoas e as empresas olhando pra trás e quantificando capital acumulado e feitos realizados. São os famosos balanços que ajudam pessoas e empresas a conhecer a fase que a troca de ano deixou pra trás.Chega então o instante de olhar pra frente. Pro novo. Com esperança. Será que este é o ano do fim da ocupação do Iraque? Será que aquele foi o último escândalo de corrupção na política brasileira? Serão as curas todas descobertas em 2008? O Ronaldinho Gaúcho vai voltar a jogar bola de verdade? A paz, enfim, reinará?

Na estrada, de férias, do nada, comecei a cantarolar uma musiquinha que as freiras nos ensinavam no colégio Espírito Santo, lá no primeiro grau. Chama-se Utopia. Estava impressa, em letras garrafais, numa das últimas páginas da agenda estudantil.

“Quando o dia da paz renascer
Quando o sol da esperança brilhar
Eu vou cantar
Quando os muros que cercam os jardins
Destruídos então os jasmins
Vão perfumar”

E seguia. Versos e mais versos falando de esperança. Nós gozávamos. Achávamos um saco aquela cantoria toda. À capela. Nem um violãozinho, nada. Só a voz esforçada da irmã. Por sorte, não tínhamos que decorar a tal letra. No fundo no fundo, a gente tirava sarro daquela música porque ela própria já fazia isso. O mesmo texto que se propunha a nos motivar, a ser um alento, era melancólico. Parecia que debochava da esperança do homem no mundo. Trazia um tom de desilusão, de desânimo na letra. Como se este dia, o dia da paz, de fato, nunca fosse chegar.

Acreditando nisso ou não, no dia da paz, temos que admitir que um dos milagres mais belos da existência humana é essa tal esperança. Acordamos de manhã, pra um dia que tem tudo pra ser igual a tantos outros, com problemas repetidos, com injustiça, com egoísmo. Mas, incrivelmente, estamos dispostos a viver. Um desafio no trabalho, um sorvete no fim dia, o sorriso dela, o chimarrão com o mesmo amargor de sempre. Tudo ganha nova cor. Somos seres movidos pela esperança. Tudo que queremos é uma nova peleia. E, cá entre nós, não temos outra escolha senão acreditar e pelear.

E o mais belo, o mais extraordinário, é que a esperança não é só uma escolha. Ela vem do nada, junto do sol. O sol que nasce e que morre, igual todos os dias. E que, ao se entregar pra noite, se vai com a certeza de que brilhará imponente, de novo, no dia seguinte. Sem importar-se com a utopia.

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