Uzina

Eu enganei o CLJ

Agosto 29, 2009 · 17 Comentários

Em qualquer esporte, a tese mais conhecida de todos os técnicos e da diretoria é a que o time precisa saber, quando perde, porque perdeu, e saber, quando vence, porque venceu. Esta última, contudo, é a mais importante para que a tão desejada vitória se repita.

E vocês sabem que no CLJ (e no EJC, e no Cenáculo, e no Onda, e no ECC) essa máxima também vale?

Confesso pra vocês que assim como fui enganado pelo CLJ, eu, muitas vezes – e até sem saber –, tentei dar troco. Tentei enganar o CLJ. E presenciei muitos fazerem o mesmo.

Explico.

Os grupos de jovens – especialmente o de jovens – atraem pessoas com problemas familiares, com dificuldade de aceitação na roda de amigos e na sociedade, com necessidade de reconhecer a si mesmo. O CLJ cumpre num primeiro momento, portanto, uma nobre função social: a de elevar a auto-estima da gurizada, fazendo-os enxergar valor naquilo que são, naquilo que fazem, naquilo que acreditam. Isso tudo – é importante que se deixe claro – sem exigir em troca qualquer bem ou quantia em dinheiro. É fundamental que se registre essa diferença elementar entre esta proposta da Igreja Católica e muitas outras que nos são ofertadas por aí, e que estão presentes até nos centros das grandes metrópoles. Antes mesmo de catequizá-los, de convertê-los, o CLJ é uma instituição sem fins lucrativos, voltada à inclusão. E eu não precisaria repetir aqui que constatações como essa só aumentam minha admiração e minha paixão por este Movimento.

Mas e quando enganamos o CLJ?

Quando, pecadores que somos, nos aproveitamos dessa nova fase de auto-estima em alta e alimentamos nosso próprio orgulho, buscando interesses individuais, lançado mão de ferramentas como o egoísmo, a fofoca, o julgamento e a autopromoção. Ou você nunca foi testemunha de jovens que cantavam mais para mostrar a voz do que para louvar? Ou você nunca conviveu com coordenadores de equipes que mais pareciam políticos angariando votos e menos lideres pela causa de Cristo? Ou você nunca conheceu ninguém que confundia aumento de responsabilidade com aumento de glamour?

Amigos em Cristo, isso é enganar o CLJ!

Felizmente, as bases fortes do Movimento impediam, no meu tempo, essas práticas de prosperar. Imagino que ainda hoje as impeçam. Nunca mais esqueci o que o Pe. Flavio Canisio Steffen, então diretor espiritual de um curso aqui em Canoas, me disse, acho que em confissão: “Juliano, Deus não condena o pecador, mas é implacável com o pecado.” E por condenarmos o pecado, sem nunca perder a esperança no pecador, é que ajudamos este Movimento a prosperar. Porque o mesmo jovem que um dia canta para que o elogiem, um dia cantará por Deus e encherá os olhos de alguém de lágrimas. O mesmo que luta por causa própria um dia canalizará todo seu talento de comunicador para fazer daquele retiro o melhor retiro de todos. E o mesmo que deseja ser admirado como coordenador, um dia voltará para casa agradecendo a Deus por ter contribuído para a conversão de muitos apenas limpando o chão e os banheiros da casa onde o curso foi realizado.

Como no futebol, como no vôlei, também no CLJ é importante que saibamos porquê vencemos. Digo com a convicção de quem já venceu e de quem já viu muitos vencerem em Cristo: o segredo está no que entendemos por doação, por caridade. O segredo da vitória em um momento de espiritualidade, em uma palestra ou em um curso de três dias está em fazer com amor, não esperando absolutamente nada em troca. Se precisamos saber porquê vencemos, voltemos nosso olhar para a Eucaristia e sigamos o seu inesquecível exemplo de doação. Cristo entregou, sacrificou e consagrou seu corpo e sangue em nosso favor. Não desejou a fama, não desejou o reconhecimento, não desejou uma coroa mais brilhosa e dourada. Buscava naquele gesto simplesmente a nossa felicidade. E só por isso, costumo dizer, dividiu a nossa historia – e até a dos ateus – em A.C. (antes de Cristo) e D.C. (depois de Cristo).

A tentativa de enganar o CLJ é a explicação para a derrota, se querem saber. Somos todos apóstolos, operários da grande messe. E o Espírito Santo é que nos capacita para que façamos o melhor de nós e nos prepara para que esperemos em troca do esforço a melhor das recompensas: a conversão do próximo.

Eu enganei o CLJ

Em qualquer esporte, a tese mais conhecida de todos os técnicos e da diretoria é a que o time precisa saber, quando perde, porque perdeu, e saber, quando vence, porque venceu. Esta última, contudo, é a mais importante para que a tão desejada vitória se repita.

E vocês sabem que no CLJ (e no EJC, e no Cenáculo, e no Onda, e no ECC) essa máxima também vale?

Confesso pra vocês que assim como fui enganado pelo CLJ, eu, muitas vezes – e até sem saber –, tentei dar troco. Tentei enganar o CLJ. E presenciei muitos fazerem o mesmo.

Explico.

Os grupos de jovens – especialmente o de jovens – atraem pessoas com problemas familiares, com dificuldade de aceitação na roda de amigos e na sociedade, com necessidade de reconhecer a si mesmo. O CLJ cumpre num primeiro momento, portanto, uma nobre função social: a de elevar a auto-estima da gurizada, fazendo-os enxergar valor naquilo que são, naquilo que fazem, naquilo que acreditam. Isso tudo – é importante que se deixe claro – sem exigir em troca qualquer bem ou quantia em dinheiro. É fundamental que se registre essa diferença elementar entre esta proposta da Igreja Católica e muitas outras que nos são ofertadas por aí, e que estão presentes até nos centros das grandes metrópoles. Antes mesmo de catequizá-los, de convertê-los, o CLJ é uma instituição sem fins lucrativos, voltada à inclusão. E eu não precisaria repetir aqui que constatações como essa só aumentam minha admiração e minha paixão por este Movimento.

Mas e quando enganamos o CLJ?

Quando, pecadores que somos, nos aproveitamos dessa nova fase de auto-estima em alta e alimentamos nosso próprio orgulho, buscando interesses individuais, lançado mão de ferramentas como o egoísmo, a fofoca, o julgamento e a autopromoção. Ou você nunca foi testemunha de jovens que cantavam mais para mostrar a voz do que para louvar? Ou você nunca conviveu com coordenadores de equipes que mais pareciam políticos angariando votos e menos lideres pela causa de Cristo? Ou você nunca conheceu ninguém que confundia aumento de responsabilidade com aumento de glamour?

Amigos em Cristo, isso é enganar o CLJ!

Felizmente, as bases fortes do Movimento impediam, no meu tempo, essas práticas de prosperar. Imagino que ainda hoje as impeçam. Nunca mais esqueci o que o Pe. Flavio Canisio Steffen, então diretor espiritual de um curso aqui em Canoas, me disse, acho que em confissão: “Juliano, Deus não condena o pecador, mas é implacável com o pecado.” E por condenarmos o pecado, sem nunca perder a esperança no pecador, é que ajudamos este Movimento a prosperar. Porque o mesmo jovem que um dia canta para que o elogiem, um dia cantará por Deus e encherá os olhos de alguém de lágrimas. O mesmo que luta por causa própria um dia canalizará todo seu talento de comunicador para fazer daquele retiro o melhor retiro de todos. E o mesmo que deseja ser admirado como coordenador, um dia voltará para casa agradecendo a Deus por ter contribuído para a conversão de muitos apenas limpando o chão e os banheiros da casa onde o curso foi realizado.

Como no futebol, como no vôlei, também no CLJ é importante que saibamos porquê vencemos. Digo com a convicção de quem já venceu e de quem já viu muitos vencerem em Cristo: o segredo está no que entendemos por doação, por caridade. O segredo da vitória em um momento de espiritualidade, em uma palestra ou em um curso de três dias está em fazer com amor, não esperando absolutamente nada em troca. Se precisamos saber porquê vencemos, voltemos nosso olhar para a Eucaristia e sigamos o seu inesquecível exemplo de doação. Cristo entregou, sacrificou e consagrou seu corpo e sangue em nosso favor. Não desejou a fama, não desejou o reconhecimento, não desejou uma coroa mais brilhosa e dourada. Buscava naquele gesto simplesmente a nossa felicidade. E só por isso, costumo dizer, dividiu a nossa historia – e até a dos ateus – em A.C. (antes de Cristo) e D.C. (depois de Cristo).

A tentativa de enganar o CLJ é a explicação para a derrota, se querem saber. Somos todos apóstolos, operários da grande messe. E o Espírito Santo é que nos capacita para que façamos o melhor de nós e nos prepara para que esperemos em troca do esforço a melhor das recompensas: a conversão do próximo.

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17 respostas Até agora ↓

  • Adriele Feix // Agosto 30, 2009 às 12:51 pm | Responder

    Olá, Juliano!!!
    Mais uma vez me pego lendo seus textos e admirada pela facilidade que tens em expressar aquilo que EU sinto!!!
    Obrigada por usar tão bem esse dom que Deus te deu!
    Peço a Ele que te ilumine e abençoe para que possas levar essa verdade a muitos e muitos!
    E, tenha certeza, faço a minha parte divulgando seu site e seus textos aqui pela região.
    Fooorte abraço!
    Fica na paz de Cristo!
    Shalom!

    • uzina // Setembro 7, 2009 às 6:45 pm | Responder

      Oi, Adriele! isso: tentar levar a palavra de Deus da forma como ele nos capacitou.. :) Obrigado pelo comentrio carinhoso de sempre! E pela visita. Shalom! Beijo grande, Juliano Rigatti.

      Ah, te deixo a letra de uma msica que eu adoro e q talvez conheas:

      Talentos Autor: Rodrigo Grecco

      Como esse pssaro Que sobrevoa as vinhas Como guia ou andorinha Que precisa s voar

      Como essa gua Cai da serra Corre vales Vai por todos os lugares Como gua para o mar

      Vem esse canto natural Se para tanto necessrio Simplesmente ser eu mesmo pra cantar

      Como o ser que busca o sol numa campina Meu sorriso se ilumina Se Deus toca o Corao

      E se lembrasse Que sal e luz do mundo Pensaria num segundo: Nunca devo me ocultar

      De que adianta Ser a ave voadora Ter o canto do canrio E para sempre me calar

      Ento seria como ser a luz da vela Iluminando uma capela E uma sombra lhe abafar

      Ser sal da terra E o sabor que em si encerra Se perder pelo espao E pelo espao no teria serventia

      Seja luz! Para brilhar pelo mundo Pra dar sabor para as coisas

      Se o talento vem de Deus Nunca h de se ocultar

  • Débora - Dedé // Agosto 31, 2009 às 12:09 pm | Responder

    Oi Juliano!

    Já passei adiante o link deste teu texto, pros meus antigos e sempre novos amigos do CLJ.
    Antigos amigos (e verdadeiros): aqueles do ‘meu tempo’ de CLJ. Novos amigos (e tbm verdadeiros): meus crismandos, os que eu encontro nas missas e na igreja sábado à tarde :)

    Obrigada por escrever coisas tão verdadeiras!
    Foste muito inspirado!

    Abração da amiga aqui,
    Dedé

    Shalom!

    • uzina // Setembro 7, 2009 às 6:57 pm | Responder

      Oi, guria querida. Obrigado pelas indicaes.. maravilhoso poder usar um dom de Deus em favor de uma causa santa na qual acredito tanto.. e quando vcs participam, me sinto verdadeiramente realizado. Beijo grande, Juliano.

  • Jé Machado // Agosto 31, 2009 às 1:26 pm | Responder

    Desta vez a indicação foi da Dedé…

    E estou aqui novamente pra dizer a mesma coisa: ótimo texto!!!

    O CLJ renderia um enorme trabalho de conclusão de psicologia… rsrs

    Ele mexe muito com a gente!
    Mesmo depois de não participar mais do movimento, as marcas que ele deixa são muito fortes.

  • Roger Duarte // Agosto 31, 2009 às 4:59 pm | Responder

    Querido Juliano – A Paz de nosso Mestre!
    Também por indicação da Débora que li o texto, fiquei muito feliz por esta manifestação que as vezes parece incomodar a tantos, como eu, que de início descobriu o verdadeiro valor e o verdadeiro sentido do CLJ, o chamado à Deus, que nos quer perto e que nos envolve na sua amorosa compania! Obrigado! Nosso Mestre é glorificado quando damos testemunho daquilo que buscamos viver! Um abraço!

    Roger Duarte
    Vocacional Comunidade Aliança Nos Passos do Mestre

  • Fernanda // Setembro 1, 2009 às 5:20 pm | Responder

    Por indicação de Débora, concordo contigo Juliano, mas também posso colocar um ponto que me irrita muito: palestras em data show. Tudo bem que nós devemos nos atualizar, mas combinamos, um bom LIDER não precisa disso, somente de bons argumentos e estudar muito sobre o assunto.

    Também concordo com o Jé, o CLJ mexe demais na nossa vida. Não seria apenas um trabalho de conclusão, mas sim, uma tese de doutorado, pois ficaria mais consistente. Alguém que faz Psicologia se habilita? Se precisar de uma entrevistada, estou aqui.

    Shalom!!!

  • Clá (: // Setembro 1, 2009 às 5:57 pm | Responder

    Olá Juliano!
    Viva Cristo!

    Teu testemunho é muito válido. Quantas e quantas vezes a Paróquia se transforma em palco e os jovens se tornam apenas ‘CLJotistas’ deixando o mais importante de lado: o ser ‘cristão’. Afinal, bem sabemos que a Igreja vive sem o CLJ, porém o CLJ não vive sem a Igreja. E se um grupo perde o foco, o Ideal, está muito perto de acabar.
    É importante essa tua reflexão, e vamos tentar levá-la ao conhecimento de outros jovens. Que essas palavras não se percam.

    Obrigada pela partilha.
    Shalom.

    Clá.
    CLJ Paróquia Senhor Bom Jesus/ Taquara.
    Diocese de Novo Hamburgo/RS.

    • uzina // Setembro 7, 2009 às 6:35 pm | Responder

      isso, Cl! Os Movimentos no vivem sem a Igreja. Se todos lembrassem disso… Obrigado pela visita e pelo iluminado comentrio! Shalom! Abrao forte, Juliano Rigatti.

  • Jaqueline Teixeira // Setembro 2, 2009 às 7:47 pm | Responder

    Indicada pela Dedé tbm li o teu texto e fiquei bem feliz em ver que mais pessoas pensam como eu!
    Tuas palavras foram iluminadas…

    Shalom!

  • Déia // Setembro 9, 2009 às 8:56 am | Responder

    Como sempre…concordo em gênero, número e grau! Não é atoa que continuo, mesmo a distância, te admirando e admirando teus pensamentos e idéias…
    Sempre achei que a maior recompensa era evangelizar…arrumei até briga com isso…ehehehe!!!!!
    Bjão Jú…parabéns mais uma vez pelos textos!!!!

    • uzina // Setembro 9, 2009 às 9:48 am | Responder

      Dia, querida. Eu sei bem quantas vezes ns tentamos fazer isso. Quanto cabelo branco tentando fazer isso, hem? Mas tbm tenho certeza que muito semeamos. Algum lugar deste planeta colher os frutos um dia. Beijo grande!

  • Celso // Setembro 15, 2009 às 10:29 pm | Responder

    Juliano:

    Lembro-me dos anos 73 e 74 no La Salle e na Igreja Goretti em Canoas, quando alguns dos integrantes daqueles grupos tentavam obter e/ ou manter determinados espaços em desfavor da maioria desejosa de conhecimento e fraternidade.
    Ótima colocação.
    Abraços.
    Celso.

    • uzina // Setembro 16, 2009 às 12:43 am | Responder

      Que importante testemunho, tio.. E quantos no deixaram de lado este caminho intimidados por esses comportamentos? Realmente, uma pena. J li em algum lugar que tudo vaidade debaixo do sol. E temos que viver lutando contra isso sempre se desejamos viver plenamente. Abrao grande!

  • Ernesto // Novembro 8, 2009 às 11:03 pm | Responder

    parabéns pelo texto, uma verdade.

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