Uzina

Nada de novo

Novembro 7, 2009 · Deixe um comentário

Juro: não há nada de novo em orkut, twitter, facebook, youtube, msn, blogs. Não há. Pode até parecer piegas, mas digo que não há porque não há nada de novo sob o sol.

Quando nascemos, desde bebês, buscamos reconhecer nosso ambiente, criamos relações com as pessoas, descobrimos a interação, o aprendizado, a colaboração, a indicação. É próprio do ser humano buscar socializar-se. A internet descobriu isso. Isso são as famosas redes sociais. Com o orkut, (re)encontramos as pessoas que conhecemos na vida real (ou não). Criamos ou refazemos os vínculos. Deixamos recado, mostramos fotos, insinuamos nossos gostos. Como numa tarde de sábado, sentados na sala, tomando chimarrão. Tudo igual. Com o twitter, avançamos, mas também não há nada de novo. Passamos a escolher quem queremos ouvir, com quem queremos ter contato. Escolhemos a dedo nossos seguidos. Se pisam na bola, saem de nossa lista. E os outros fazem isso conosco também. Se nosso conteúdo não agrada, podemos perder o amigo. Apresentamos e recomendamos nossos contatos ao resto da galera. É uma rede crítica, o twitter. Como a vida o é.

A linguagem. Também como em nossa existência física, a internet possui um idioma. Isso talvez o torne um pouco distante, quase assustador no início. Não há razão. Como fizeste aquele cursinho de idiomas um dia, aprenda os códigos de comunicação na internet também. Simples assim.

Mais do mesmo. É o que a internet. O que não a torna menos fascinante, claro. Ela amplia as possibilidade. Aproxima. Multiplica. Facilita.

Agora, não esqueçamos. A internet não é uma nova existência. É apenas uma roupagem modernosa daquilo que existe desde o princípio. Não abandone as visitas reais, os beijos de verdade, o abraço forte. A vida segue a mesma. Porque não há nada de novo sob o sol.

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Para rir…

Novembro 7, 2009 · Deixe um comentário

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Minha mãe é uma artista!

Outubro 24, 2009 · 2 Comentários

Posto do Armário do Mario

Posto do Armário do Mario

Digo pra vocês que o Mario Montovani, jornalista da revista Vida Simples, da Abril, publicou no blog dele as obras de arte da minha mãe.

Há uns meses, mandei a ele um pacotão com um avental, um jogo de tapetes de banheiro e uma cenoura de pano. Isso, tudo era de pano. Parece estranho. Mas é que a minha mãe recolhe em estofarias aqui de Canoas (RS) os retalhes que, normalmente, iriam para o lixo. Ela os lava e dá formas que vem encantando muita gente.

Confiram: http://armariodomarioo.blogspot.com/

 

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Poesia das redes sociais

Outubro 24, 2009 · 2 Comentários

amor é prosa, sexo é poesia.
msn é papo, orkut é recado. linkedin é contato.
blog é tese, twitter é pensamento.
toq é raro, web é todo dia.

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Caixa de bombom

Outubro 12, 2009 · 2 Comentários

Dia das crianças me lembra caixas de bombom. Minha avó me dava caixas de bombom no Dia das Crianças. “Só uma caixa de bombom, vó?”, eu pensava. “Por que não um Comandos em Ação, uma tartaruga ninja, um Playmobil?”, continuava desqualificando o seu gesto em pensamento. Lembro que a criticava por não vir falar comigo, não me botar no colo, não me dar conselhos sábios como nos filmes, não ser o tipo afetivo tradicional. Lembro de achar que minha avó não me amava. E queria me comprar. Com caixas de bombom.

Dia desses meu pai voltou da loja do Grêmio, em Porto Alegre. Voltou com um bonito pacote de presente, numa bela sacola. Pra mim. Me surpreendi. Meu pai não é das coisas. De dar presente a toda hora. Mas entendi depois. Meu pai me disse que a sua mãe — a minha vó, a das caixas de bombom, que era muito gremista – estaria de aniversário naquele dia, e já que ele não podia a presentear, estava dando a mim aquele presente. Bonito, pai. Também te amo.

Nesse Dia das Crianças, espero que todas as crianças que, porventura, não recebaramm presentes, não decepcionem-se. Pessoas como a minha avó e meu pai amam. Nem sempre dizem, mas amam. Às vezes, o presente também não vem. E isso não quer dizer que não  amam. Mais. Se receberem só uma caixa de bombom, lembrem-se que o amor, o amor verdadeiro, sempre é manifestado, e, às vezes, é preciso entender o seu manifesto. Às vezes ele pode ser simbolizado por uma simples e barata caixa de bombom.

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Sobre a gastronomia do Bento

Outubro 12, 2009 · 3 Comentários

Meio potinho de sobremesa de mamão bem amassado, seu carrinho em movimentos ritmados e repetidos e, pronto, o Bento já repousa seus olhos fechados sobre suas bochechas brancas e delicadas. Dorme.

Meu pequeno sobrinho e afilhado completa seis meses no próximo dia 15 e fez algo nas últimas semanas de que se lembrará de fazer por toda vida: Bento alimentou-se com comida de adulto. Bento passou a acrescentar frutas à sua dieta de bebê que mama no peito. Já comeu banana, abacate, mamão e chupou minha maçã. E gostou.

Foi assim. Eu vinha da cozinha pra garagem comendo minha maçã, bem belo, quando chamaram minha atenção para o Bento. Ele estava com os bracinhos esticados, lábios em biquinho e olhos concentrados na minha fruta. Eu podia ver aquele círculo vermelho desenhado na íris do pequeno Bento. Segundos depois, graças à generosidade deste que vos escreve, ele já estava com a boquinha encaixada no buraco da minha mordida, dedicando toda sua energia para extrair para si o máximo daquele líquido doce.

Sabem que nos últimos meses o ato de comer, assim como Bento faz um terço do seu tempo de vida, vem me intrigando? Porque muitas vezes, o ser humano não come só para alimentar-se. Óbvio, né? Mas mais. O ser humano também não come só pelo prazer que a comida ou aquela trufa de chocolate cremoso causa em alguma parte do seu complicado cérebro. A gente quer mais do que prazer. Não sei o que agente quer mais. Mas tenho a impressão de que há algo em mim faltando e esse algo será ilusoriamente substituído pela comida. Não te parece? Que às vezes tu comes, comes, comes e a comida ou a fome acabam antes de acabar aquele vazio que tu tens aí dentro? Pensa e me ajuda a responder essa existencial interrogação.

Bem, mas vamos voltar ao que interessa. Eu estava terminando um trabalho da Pós no quarto, quando vieram me chamar. Venha ver o Bento chupar o dedo do pé. Incrédulo, saltei da minha cadeira, dei toda a volta na casa para conferir mais essa desse piá. Pediram-me silêncio. Avancei repousando um pé após o outro para que os meus olhos vissem a cena com toda sua naturalidade. Nem banana, nem mamão, nem abacate, nem a maçã suculenta do tio. O pequeno Bento deliciava-se era com o dedão branco e comprido – sim, de tanto chupá-lo – de seu pé-bisnaguinha direito. Não tirei conclusão alguma. Tem cenas que se justificam só por acontecer. Sorri mais uma vez de admirado que estava com este meu sobrinho.

(Leia mais sobre o Bento clicando aqui).

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A lua escura

Outubro 12, 2009 · 3 Comentários

Era uma note sem lua, daquelas bem escuras. Na varanda do sítio, Alam, Felipe e Anita conversavam olhando o final da fogueira que tinham acendido para espantar os mosquitos.
De repente…
… Alan diz: –Vamos dormir, amanhã temos que levantar cedo para uma longa aventura…
… PRIMMM! PRIMMM! PRIMMM!
– Alô! atendeu Felipe.
– Quem é? – Felipe!
– Felipe!!!, vocês estão atrasados!!!, deviam estar lá as 6 horas e já são 8 horas!!! berra Júlio seu patrão.
– Estou indo chefe!
– TRINNNNN! desliga o telefone.
– Alan!!, Anita!!.
– Que é Felipe?. pergunta Alam.
– Nós estamos atrasados!
– É mesmo!!!!!!!!!!!
– Vamos!!! diz Anita…
– HHHHH! Chegamos. fala bem baixinho Anita. Alam, Felipe e Anita caminham mais três passos e… …HÁÁÁ!! HÁÁÁ!!
– PPPUUUMMMM!!! – Onde estamos? pergunta Felipe.
– Tirou as palavras da minha boa! afirma Alam.
– VVVUUUUMMM! – HÁÁÁ!! – PIMMM!
voa uma lança a cabeça de Anita, mas ela consegue se salvar. – TUUFF!! TUUFF!! cai pontas de gelo do teto do castelo em forma de chuva e então o que lhes resta é fugir…
… Quando Alam, Felipe e Anita começam a correr aparecem três carrinhos (de ferro) por um trilho. E então eles três entram nos carrinhos. Alam fica no 1º carrinho e Felipe e Anita no 2º.
De repente chega o fim do trilho e Alam fala desesperado: – Só nos resta é os nossos cabos de aço, para emergências!! – VVuuum!!!! (3 vezes) – PPiiimm!!! (3 vezes).
– Conseguimos!! – grita Anita. Mas derepente um fogaréu aparece em volta deles. Felipe olha bem para o fogo e bem lá dentro do fogo aparece uma estranha luz. Com muita curiosidade Felipe entra no fogo e de lá dentro tira uma caixa de ferro cadiada. Alam e Anita exclamam juntos: – Como vamos abri-la? – Já sei! – diz Felipe. – Co… – Pum!!! – atira com um revólver Felipe – Felipe não mexa nessa parte !!! – Alam!!, olhe lá é o fim do castelo! (das brincadeiras) grita Anita.
– Vamos embora!!! gritam os 3 juntos. E então eles vão embora felizes para sempre.

***

Eu posso lembrar do meu entusiasmo descrevendo e imaginando cada detalhe, característica e reação dos personagens dessa história. Entendo ainda hoje a razão de cada uma daquelas onomatopéias esquisitas com as quais ocupei as páginas brancas de meu pequeno caderno pautado, cuja capa ilustrava duas crianças sós e obesas, bebendo suco de uva Aurora em um piquenique. Anita, Felipe e Alam foram meus primeiros personagens. Ao longo do resto da minha infância, não lembro de outros. Devem ter existido, mas não lembro.

O que lembro e tenho registrado é um erro da educadora que foi testemunha deste texto, o qual pode ter sido a primeira manisfestação de uma criança que desejava imaginar mais, desejava inventar mais, desejava ser, sem saber, um artista. “Procure fazer histórias menores e cuide o parágrafo”. Foi o que ela deixou dito para mim depois desta bela história de aventura, fantasia e emoção, que um guri de nove anos – apenas nove anos! – acabara de criar.

Fala-se muito hoje da educação deficitária que temos no Brasil. Eu também fico intrigado com isso. No mínimo intrigado. Passados 18 anos, quantas professoras de séries iniciais continuam despreparadas para indicar limites, demonstrar interesse, perceber incapacidades, desenvolver aptidões e incentivar o lúdico?

Minha primeira ficção, aos nove anos

Minha primeira ficção, aos nove anos

Minha história tinha tirinhas...

Minha história tinha tirinhas...

... cenas de ação

... cenas de ação

A avaliação da professora: "Procure fazer histórias menores."

A avaliação da professora: "Procure fazer histórias menores."

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Eu sou o cara!

Setembro 20, 2009 · 9 Comentários

A madrugada já nos embriagava na sala do Dudu quando eu me peguei olhando pro forro estampado do meu sapatênis. E enquanto os outros falavam de coisas amenas, eu estava perplexo com o que via. Claro que o efeito do álcool intensificava minha sensação de estranheza. É que eu não fico falastrão, corajoso ou enxendo o saco das pessoas quando bebo. Só fico olhando pras coisas. Sei que há quem dobre a visão ou veja insetos subindo pelas paredes. Eu, não. Naquela madrugada, eu simplesmente olhava para o forro do meu sapatênis.

O que me admirava não era a combinação de cores, ou as cores escolhidas. Era simplesmente a presença daquele tecido ali, no forro do meu sapatênis, do lado de dentro, de modo que apenas uma pessoa no interior daquela sala onde estávamos podia vê-lo: eu, o seu proprietário.

Isso é mais do que a necessidade de ostentar uma marca de grife, ou um estilo, na vestimenta. É mais do que calçar um tênis com molas. É mais do que olhar o mundo de trás de um óculos de sol de uma famosa superprodução hollywoodiana. É mais do que ter que mostrar aos outros o que possuímos para que isso nos qualifique e promova a comunhão de bens simbólicos. É mais.

Sim, porque vestir-se como os outros nos dá um sentimento de pertença à uma comunidade, de pertença a uma tribo. Tem gente que pensa que pôr piercing na cartilagem do meio do nariz, como os bovinos, ou vestir um moletom-canguru, de trezentos reais, é sobressair-se. Não é. Agir desta forma não é ser melhor que os demais. Cobrir parte do corpo com calças, tênis, abrigos ou acessórios da moda é manifestar a vontade de pertencer. De pertencer aos amigos da escola, de pertencer ao estilo de vida do filme em cartaz, de pertencer à turma da novela das seis, de pertencer à galera da academia. E, no fim das contas, querer pertencer é querer não estar sozinho.

E te digo que possuir um sapatênis com o forro colorido é mais do que pertencer ao grupo dos que usam sapatênis. Não que pra mim não fosse suficiente pertencer a este grupo. Longe de mim. Eu já me sinto o cara porque sou do grupinho que usa sapatênis. Não é isso. É mais do que isso. Ter forro colorido no calçado me dá mais do que a sensação de não estar sozinho. Me enche de orgulho.

Dizem que a depressão é o mal deste século. Nunca na história deste planeta tantas pessoas sofreram de depressão. E como há tantos depressivos isolados em seus quartos se temos cada vez mais a companhia uns dos outros, simbolizada pelas molas dos tênis iguais, pela cueca que aparece na cintura baixa das calças jeans iguais, pelos seios fartos iguais? Como podemos nos isolar tanto se somos cada vez mais pertencentes a um grupo em comum? Como o egoísmo prolifera tanto se comungamos cada dia mais dos mesmos valores capitais? Como nos deprimimos se agora há marcas que olham pra nós pra nos encher de orgulho? O forro colorido do meu sapatênis é, portanto, um caminho encontrado para esta encruzilhada.

Com um forro estampado de um sapatênis e uma meia speedo te olhando, tu não só nunca mais se sentiras só: tu te sentirias o cara. Contei da meia speedo? Ela foi outra que me encheu de uma sensação de existência dia desses. Tirei-a da minha gaveta de meias organizadas, cheirando a confort, desfiz a dobra e o que eu vejo quando minha meia speedo toma o formato do meu pé? A marca speedo cobrindo os dedos do meu pé, olhando pra mim! Não, a marca não estava circulando a lateral da minha canela, exibida para os outros. Estava lá na ponta do pé, olhando pra mim. Quase pude vê-la piscando em minha direção. Estavam lá, bem belas, as letrinhas da marca speedo olhando para mim e enchendo-me de orgulho. Porque no fim das contas o que as marcas querem é isso. Encher seus donos de orgulho. Orgulho por poder usá-las, orgulho por pertencê-las.

Fazer Marketing hoje em dia é isso. É uma terapia. É uma fluoxetina. É um prozac. É a ciência capaz de construir uma marca que acorde de manhã cedo ou que o acompanhe em uma noitada etílica e, no meio da madrugada, olhe para ti e exclame: “tu é o cara!”.

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O Ventoso e o Bento

Agosto 29, 2009 · 5 Comentários

O Bento, o sobrinho e afilhado do Juliano, este que escreve para vocês neste blog, digo pra vocês, fez a sua grande descoberta por esses dias. Isso mesmo, talvez possa-se dizer que o Bento fez, há poucos dias, a sua primeira grande descoberta desde seu primeiro instante de vida, no hospital Ernesto Dorneles, em Porto Alegre. Porque outras pequenas descobertas o Bento já tinha feito. Por exemplo. Ele descobriu, desde que nasceu, que chorar não é a forma mais eficiente de receber o que lhe falta – ou leite ou alguém que lhe faça dormir. Descobriu que chorar não é a forma mais eficaz. É a única. Outra pequena, mas fundamental, descoberta do Bento, o afilhado do Juliano e da Samanta, foi sua pequenina, mas ágil, língua. E imediatamente junto desta, Bento aprendeu outra coisa de igual importância. Sabem o que é? É que embora a língua o ajude a mamar, fazendo repousar sobre si o bico do seio materno e auxiliando na obtenção do leite (eu imagino que seja assim), esta mesma língua, esta mesma e insubstituível língua, não pode agarrar objetos distantes mais de cinco centímetros da boca. Ela é simplesmente incapaz disso.

Mas estas são apenas as pequenas descobertas do Bento, neto do José e da Ema. A maior de todas ainda não contei. E quem sou eu? Eu faço parte desta magnífica descoberta. Aguardem.

Os brasileiros tiveram a presença de espírito de metaforizar a genial teoria da evolução de Darwin com o famoso “quando a água bate na bunda o sujeito aprende a nadar”. Bom, se fica mais fácil de entender, sem problemas, usemos esta metáfora mesmo. Digamos, então, que, quando o Bento descobriu que sua hábil língua era inofensiva a objetos distantes, a água bateu na sua fofa e branca bundinha. Certo? E Bento, o neto da Dona Elisa, teve de aprender a nadar. Certo? E como Bento fez isso? Batendo as perninhas! Não! Nada disso. A fantástica descoberta do nosso Bento são, atenção: as suas pequeninas mãos. Isso mesmo. Há algumas semanas que o Bento já não repete suas frustadas tentativas de agarrar as coisas com a língua, ele usa suas duas próprias mãos.

Ventoso

Ventoso

E eu, quem sou? Prazer, meu nome é Ventoso. Aham, Ventoso. Sou nada mais, nada menos do que o primeiro brinquedo no qual o Bento tocou conscientemente (conscientemente, isso é importante) com suas duas desajeitadas mãos. Claro que virão outros, como a Centopéia, dizer que foi nela que o Bento tocou primeiro. Nãããão foi. Não acreditem nessa impostora. Foi em mim, em quem vos escreve agora, no Ventosinho aqui, que o Bento inaugurou seu tato. Bom, fui dado de presente ao Bento justamente pela Samanta e pelo Juliano, seus dindos, e meu nome é este porque eu tenho uma enorme ventosa na minha base, o que me permite ficar grudado em quase qualquer superfície da casa. Essa é, portanto, minha primeira virtude: adapto-me facilmente. Depois disso, colocam a criança, neste caso, o Bento,  na minha frente e ele fica girando três astes de plástico presas bem no meio do meu corpinho. As grandes atrações são os simpáticos animaizinhos coloridos que ficam na ponta de cada uma das minhas astes: o tucano, a borboleta e o macaco. As três astes giram como num catavento e os três bichinhos coloridos também contornam o seu próprio eixo. Manero, né? As crianças dessa idade, da idade do Bento, adoram.

Bem, devidamente apresentados, eram estas as novidades que eu tinha pra contar pra vocês. Que eu, o Ventoso, sou o mais novo amigo do Bento, e que o Bento, o filho da Ana e dos Luís, acaba de descobrir que, além de chorar, de mamar, de dormir e de adestrar sua língua, agora pode usar suas duas e poderosas mãos.

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Eu enganei o CLJ

Agosto 29, 2009 · 17 Comentários

Em qualquer esporte, a tese mais conhecida de todos os técnicos e da diretoria é a que o time precisa saber, quando perde, porque perdeu, e saber, quando vence, porque venceu. Esta última, contudo, é a mais importante para que a tão desejada vitória se repita.

E vocês sabem que no CLJ (e no EJC, e no Cenáculo, e no Onda, e no ECC) essa máxima também vale?

Confesso pra vocês que assim como fui enganado pelo CLJ, eu, muitas vezes – e até sem saber –, tentei dar troco. Tentei enganar o CLJ. E presenciei muitos fazerem o mesmo.

Explico.

Os grupos de jovens – especialmente o de jovens – atraem pessoas com problemas familiares, com dificuldade de aceitação na roda de amigos e na sociedade, com necessidade de reconhecer a si mesmo. O CLJ cumpre num primeiro momento, portanto, uma nobre função social: a de elevar a auto-estima da gurizada, fazendo-os enxergar valor naquilo que são, naquilo que fazem, naquilo que acreditam. Isso tudo – é importante que se deixe claro – sem exigir em troca qualquer bem ou quantia em dinheiro. É fundamental que se registre essa diferença elementar entre esta proposta da Igreja Católica e muitas outras que nos são ofertadas por aí, e que estão presentes até nos centros das grandes metrópoles. Antes mesmo de catequizá-los, de convertê-los, o CLJ é uma instituição sem fins lucrativos, voltada à inclusão. E eu não precisaria repetir aqui que constatações como essa só aumentam minha admiração e minha paixão por este Movimento.

Mas e quando enganamos o CLJ?

Quando, pecadores que somos, nos aproveitamos dessa nova fase de auto-estima em alta e alimentamos nosso próprio orgulho, buscando interesses individuais, lançado mão de ferramentas como o egoísmo, a fofoca, o julgamento e a autopromoção. Ou você nunca foi testemunha de jovens que cantavam mais para mostrar a voz do que para louvar? Ou você nunca conviveu com coordenadores de equipes que mais pareciam políticos angariando votos e menos lideres pela causa de Cristo? Ou você nunca conheceu ninguém que confundia aumento de responsabilidade com aumento de glamour?

Amigos em Cristo, isso é enganar o CLJ!

Felizmente, as bases fortes do Movimento impediam, no meu tempo, essas práticas de prosperar. Imagino que ainda hoje as impeçam. Nunca mais esqueci o que o Pe. Flavio Canisio Steffen, então diretor espiritual de um curso aqui em Canoas, me disse, acho que em confissão: “Juliano, Deus não condena o pecador, mas é implacável com o pecado.” E por condenarmos o pecado, sem nunca perder a esperança no pecador, é que ajudamos este Movimento a prosperar. Porque o mesmo jovem que um dia canta para que o elogiem, um dia cantará por Deus e encherá os olhos de alguém de lágrimas. O mesmo que luta por causa própria um dia canalizará todo seu talento de comunicador para fazer daquele retiro o melhor retiro de todos. E o mesmo que deseja ser admirado como coordenador, um dia voltará para casa agradecendo a Deus por ter contribuído para a conversão de muitos apenas limpando o chão e os banheiros da casa onde o curso foi realizado.

Como no futebol, como no vôlei, também no CLJ é importante que saibamos porquê vencemos. Digo com a convicção de quem já venceu e de quem já viu muitos vencerem em Cristo: o segredo está no que entendemos por doação, por caridade. O segredo da vitória em um momento de espiritualidade, em uma palestra ou em um curso de três dias está em fazer com amor, não esperando absolutamente nada em troca. Se precisamos saber porquê vencemos, voltemos nosso olhar para a Eucaristia e sigamos o seu inesquecível exemplo de doação. Cristo entregou, sacrificou e consagrou seu corpo e sangue em nosso favor. Não desejou a fama, não desejou o reconhecimento, não desejou uma coroa mais brilhosa e dourada. Buscava naquele gesto simplesmente a nossa felicidade. E só por isso, costumo dizer, dividiu a nossa historia – e até a dos ateus – em A.C. (antes de Cristo) e D.C. (depois de Cristo).

A tentativa de enganar o CLJ é a explicação para a derrota, se querem saber. Somos todos apóstolos, operários da grande messe. E o Espírito Santo é que nos capacita para que façamos o melhor de nós e nos prepara para que esperemos em troca do esforço a melhor das recompensas: a conversão do próximo.

Eu enganei o CLJ

Em qualquer esporte, a tese mais conhecida de todos os técnicos e da diretoria é a que o time precisa saber, quando perde, porque perdeu, e saber, quando vence, porque venceu. Esta última, contudo, é a mais importante para que a tão desejada vitória se repita.

E vocês sabem que no CLJ (e no EJC, e no Cenáculo, e no Onda, e no ECC) essa máxima também vale?

Confesso pra vocês que assim como fui enganado pelo CLJ, eu, muitas vezes – e até sem saber –, tentei dar troco. Tentei enganar o CLJ. E presenciei muitos fazerem o mesmo.

Explico.

Os grupos de jovens – especialmente o de jovens – atraem pessoas com problemas familiares, com dificuldade de aceitação na roda de amigos e na sociedade, com necessidade de reconhecer a si mesmo. O CLJ cumpre num primeiro momento, portanto, uma nobre função social: a de elevar a auto-estima da gurizada, fazendo-os enxergar valor naquilo que são, naquilo que fazem, naquilo que acreditam. Isso tudo – é importante que se deixe claro – sem exigir em troca qualquer bem ou quantia em dinheiro. É fundamental que se registre essa diferença elementar entre esta proposta da Igreja Católica e muitas outras que nos são ofertadas por aí, e que estão presentes até nos centros das grandes metrópoles. Antes mesmo de catequizá-los, de convertê-los, o CLJ é uma instituição sem fins lucrativos, voltada à inclusão. E eu não precisaria repetir aqui que constatações como essa só aumentam minha admiração e minha paixão por este Movimento.

Mas e quando enganamos o CLJ?

Quando, pecadores que somos, nos aproveitamos dessa nova fase de auto-estima em alta e alimentamos nosso próprio orgulho, buscando interesses individuais, lançado mão de ferramentas como o egoísmo, a fofoca, o julgamento e a autopromoção. Ou você nunca foi testemunha de jovens que cantavam mais para mostrar a voz do que para louvar? Ou você nunca conviveu com coordenadores de equipes que mais pareciam políticos angariando votos e menos lideres pela causa de Cristo? Ou você nunca conheceu ninguém que confundia aumento de responsabilidade com aumento de glamour?

Amigos em Cristo, isso é enganar o CLJ!

Felizmente, as bases fortes do Movimento impediam, no meu tempo, essas práticas de prosperar. Imagino que ainda hoje as impeçam. Nunca mais esqueci o que o Pe. Flavio Canisio Steffen, então diretor espiritual de um curso aqui em Canoas, me disse, acho que em confissão: “Juliano, Deus não condena o pecador, mas é implacável com o pecado.” E por condenarmos o pecado, sem nunca perder a esperança no pecador, é que ajudamos este Movimento a prosperar. Porque o mesmo jovem que um dia canta para que o elogiem, um dia cantará por Deus e encherá os olhos de alguém de lágrimas. O mesmo que luta por causa própria um dia canalizará todo seu talento de comunicador para fazer daquele retiro o melhor retiro de todos. E o mesmo que deseja ser admirado como coordenador, um dia voltará para casa agradecendo a Deus por ter contribuído para a conversão de muitos apenas limpando o chão e os banheiros da casa onde o curso foi realizado.

Como no futebol, como no vôlei, também no CLJ é importante que saibamos porquê vencemos. Digo com a convicção de quem já venceu e de quem já viu muitos vencerem em Cristo: o segredo está no que entendemos por doação, por caridade. O segredo da vitória em um momento de espiritualidade, em uma palestra ou em um curso de três dias está em fazer com amor, não esperando absolutamente nada em troca. Se precisamos saber porquê vencemos, voltemos nosso olhar para a Eucaristia e sigamos o seu inesquecível exemplo de doação. Cristo entregou, sacrificou e consagrou seu corpo e sangue em nosso favor. Não desejou a fama, não desejou o reconhecimento, não desejou uma coroa mais brilhosa e dourada. Buscava naquele gesto simplesmente a nossa felicidade. E só por isso, costumo dizer, dividiu a nossa historia – e até a dos ateus – em A.C. (antes de Cristo) e D.C. (depois de Cristo).

A tentativa de enganar o CLJ é a explicação para a derrota, se querem saber. Somos todos apóstolos, operários da grande messe. E o Espírito Santo é que nos capacita para que façamos o melhor de nós e nos prepara para que esperemos em troca do esforço a melhor das recompensas: a conversão do próximo.

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